terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Até, Almir!


O que sentir quando se perde um grande amigo?

O que dizer quando o amigo cala e sua alma voa?

O coração nem sempre consegue nos dar as respostas que a alma clama. Nem mesmo os sábios e toda a sua cátedra conseguem decifrar esse vazio que nos impacta, quando um grande amigo parte e nos deixa abismados com os mistérios que a vida insiste em esconder, desde o seu princípio.

Ó, vida, bela vida, vida amiga, nosso amado existir!

Aonde escondeis o lenitivo dessa dor que punge e nos torna irrequietos?

Por que te esvai em dor e pranto, quando tudo o que queremos é sorrir?

Quem te ensinou a fabricar a lágrima e ensaiou contigo o semblante da melancolia?

Sabemos que a dor é cansada, que a lágrima é salgada, e que a morte é o limite de todos os sonhos. Que absurdo!

O amigo José Almir Martins Oliveira nos deixou calados, na noite desta segunda-feira (14). A notícia que não se queria saber, chegara, respingando como chuva fina, silenciosa e fria, colocando um ponto final na história de vida do amigo e um novo ponto de interrogação nas nossas.

O que nos alenta num instante como este, em que encaramos o morrer como uma perversão ao esforço humano, aos sonhos de cada um, é a esperança de que os bons seres não sucumbem à frieza da terra, e sim às alvuras das nuvens, e se transformam em anjos. Oxalá a Terra tenha diminuído um personagem e o Céu somado um Arcanjo.

Muito se tem a dizer de um homem probo, de um guerreiro de alma viril, de um chefe de família amoroso e cumpridor dos seus deveres em todas as instâncias. O José, diferente do personagem da obra de Drummond, não verá o fim da festa, não verá o apagar da luz, nem tampouco o desaparecimento do povo, pois a festa que ele fazia quando nos olhava e nos abraçava; a luz que ele vertia dos seus olhos brilhantes, prendia a si uma legião de seres encantados, pois era ele um sábio, um rebelado contra as injustiças, um soldado vigilante de suas tarefas, um ser compadecido das dores alheias, um amante do belo, do sereno, um verdadeiro astro do mundo.

Perdoa-nos, amigo, se por acaso derramarmos por ti as lágrimas dos frouxos. Dos que não sabem compreender à hora do fim. Que não conseguem dialogar com a misteriosa existência, e pensam que ser eterno é nunca morrer.

Lembraremos de você de muitas maneiras, mas uma será especial: Quando vermos um ser repelindo erros, tolhendo absurdos, levantando a voz contra o injusto e bendizendo à Ciência, à Cultura e ao amor, como tripé formidável que finca suas hastes no solo para revelar o quanto um homem pode ser capaz.

Que Deus o transporte ao melhor recanto dos céus, e que você se comporte como um verdadeiro anjo de luz.


Até, amigo Almir!



Silveira Rocha
Fonte:http://silveiraroccha.blogspot.com/2011/02/ate-almir.html

1 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado por suas lindas palavras, meu PAI deixou amigos e admiradores. Acreditava que em um mundo melhor, uma politica melhor, um ensino melhor, acreditava em mudanças e não parava de construir e plantar mudanças nas pessoas e nos sistemas. Que na mente de todos fiquem a imagem de saúde e alegria que ele apresentava quando andava nas ruas de Sobral.

MARCELLO OLIVEIRA(FILHO)

16 de fevereiro de 2011 às 13:33

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